Pluma de exaustão

O que é aquela coluna de fogo e por que ela muda tanto durante a subida.

O que é a pluma

A pluma é o jato de gases quentes que sai do bocal do motor. Na câmara de combustão, propelente e oxidante queimam a milhares de graus e alta pressão; o bocal em forma de sino acelera esses gases a velocidades supersônicas (tipicamente 2,5 a 4,5 km/s). A parte brilhante é gás incandescente, partículas e reações químicas que continuam ao se misturar com o ar. Perto do chão, as grandes nuvens brancas vêm principalmente da água do sistema de supressão de som da plataforma, que vira vapor, e do vapor d’água da própria exaustão.

Por que muda de forma com a altitude

O bocal é projetado para uma certa pressão de saída. Ao nível do mar, a pressão do ar é maior que a do gás que sai: o jato é “sobre-expandido” e fica estreito e comprido. Conforme o foguete sobe, a pressão externa cai; o jato fica “sub-expandido” e se abre cada vez mais. Em grande altitude, a pluma pode formar um enorme leque ou “água-viva” — especialmente bonita ao entardecer ou antes do amanhecer, quando o foguete, já alto, ainda recebe luz do sol enquanto o chão está escuro (veja a foto da missão CRS-35 abaixo). No vácuo, a pluma se expande quase sem limite.

Cores por propelente

PropelenteAparência típicaExemplos
Querosene (RP-1) + oxigênio líquidoChama amarelo-alaranjada e brilhante, por fuligem (carbono) incandescente; às vezes fumaça escuraSaturn V (F-1), Falcon 9 (Merlin), Soyuz
Hidrogênio + oxigênio líquidosQuase transparente, azulada/violeta-clara; o produto é basicamente vapor d’águaRS-25 do Ônibus Espacial e do SLS
Metano + oxigênio líquidosAzul a azul-violeta, queima limpa com pouca fuligem; pode parecer alaranjada perto do chão por causa do ar e da poeiraRaptor (Starship), BE-4 (New Glenn)
Combustível sólido (perclorato de amônio + alumínio)Branco-amarelada muito brilhante, com espessa fumaça branca de óxido de alumínio e outros produtosPropulsores do Ônibus Espacial e do SLS

As cores reais também dependem da proporção de mistura, da câmera e da luz ambiente.

Discos de Mach

Quando a pressão do jato não coincide com a do ar, formam-se ondas de choque e de expansão que se refletem dentro do jato, criando um padrão repetido de regiões brilhantes: os “discos” ou “diamantes de Mach”. O gás é recomprimido e reaquecido em cada choque e por isso brilha mais. São bem visíveis em motores a hidrogênio, como o RS-25, e em turbinas a jato com pós-combustor.